POEMAS "INXIRIDOS" III
...a minha tentação...
Tua beleza excede o comum...
O som da tua voz percorre a minha mente como o som das águas caindo...
A tua anatomia vestida desperta o meu desejo masculino...
Inevitavelmente viajo num sonho carnal, animal, sensual...
Perdoa-me, menina. É um sentimento incontrolável...
De nada adianta tentar te olhar comumente...
Se a mente, incrivelmente permite-me a possibilidade de realizar...
Realizar um sonho contido, reprimido, indefinido...
Não me condene por te desejar loucamente...
Ver-te desesperadamente,
Implorar histericamente por um toque envolvente...
Senti-la ofegante, entregue totalmente, à mercê...
Subitamente, num capricho dos Deuses, proporcionar-te a mais prazerosa das noites....
E ouvir-te sussurrar palavras de gratidão, seguido de um pedido de perdão...
Por ter resistido todo esse tempo a nossa tentação.
Cyrillo dos Anjos, poeta Potiguar.
...ALIMENTA-ME...
Não se trata de uma necessidade física...
A gula que me domina, me fazendo cometer esse pecado capital...
É algo espiritual, um desejo inexplicavelmente vicejante...
Possuí-la repetidamente tornou-se meu vício principal...
Está impossível saciar-me em uma só noite...
Tento arrancar da minha mente esse sentimento insano...
Esse desejo dominante e incurável...
Quanto mais a tenho mais eu te procuro...
Busco em seu corpo delirante...
Nas suas curvas fatais e delicadas...
O alimento necessário que me complete...
Que me faça sentir infantilmente...
O mais forte dos amantes...
Retribuir completamente o banquete oferecido...
Oferecendo-te o melhor que tenho pra dar...
Como forma de agradecimento te convencer...
Ao melhor e mais gostoso dos pecados cometer...
Ouvir em murmúrios você dizer que consegui te viciar.
Cyrillo dos Anjos, poeta Potiguar.
....Freud explica?
Ah, as mais velhas...
O que explicaria esse desejo que me domina?
A medicina, a química, a física ou a filosofia?
Aguça o meu desejo de caçador...
Ver uma dama na idade da loba simplesmente a caminhar...
Sou tomado por uma vontade irresistível...
De dominá-la, de caçá-la, de possuí-la. O quê explicaria?
As que tive, dominei. As que dominei, amei todas...
As que desejei e não possuí, me feri fortemente...
A medicina me curou, a química me entorpeceu e a filosofia me ajudou...
Uma nova caçada me anima...
Que venha a ferida ou a filosofia...
O que me atrai é a busca, a caça e a química...
Pobre medicina, dessa vez somente a “lindocaína”...
Conseguirá me ajudar caso prevaleça à física...
Se não obtiver êxito na caçada, buscarei na filosofia o que explicaria...
Esse tal de Freud e sua teoria afirmarem que sou vítima de complexo...
Ela é morena e sedutora, meio índia e volumosa...
Desisto da problemática da explicação...
Quero somente, dominando a minha caça, leva-la a exaustão.
Cyrillo dos Anjos, poeta Potiguar.
Escrito por Cyrillo Fernandes às 17h20
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